B.I.A x Beatriz: mulheres reais não são protegidas contra o assédio no Bradesco

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Segundo funcionárias do Bradesco, o mesmo cuidado sobre assédio visto em campanha publicitária do banco não é visto na rotina dos trabalhadores de suas agências

BIA, inteligência artificial do Bradesco, é vítima de assédio. Parte dos clientes do banco, em vez de usá-la para consultar o saldo, pagar contas ou tirar dúvidas, tem dirigido a ela propostas indecorosas e comentários ofensivos. Por causa disso, anunciou o banco por meio de uma campanha publicitária veiculada na TV e na internet, quando esses avanços indesejados ocorrerem, as respostas da BIA serão mais contundentes.

“Mudamos as respostas da BIA para que ela reaja de forma justa e firme contra o assédio. Sem meias palavras. Sem submissão. Porque, se queremos construir um futuro com mais respeito, precisamos dar o exemplo AGORA”, diz o informativo do Bradesco.

Criada pela agência de marketing Publicis Brasil, que atende gigantes como Nestlé e Carrefour, a ação segue o movimento “Hey, Update My Voice” (Ei, Atualize Minha Voz), da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que por sua vez tem como objetivo lutar contra o preconceito de gênero e o assédio sexual às IAs.

“Seu modo de falar foi violento e agressivo. Estupro é um crime previsto no Artigo 213 do Código Penal. Eu vi no anuário de violência do 1º semestre de 2020 que, no Brasil, um estupro acontece a cada 8 minutos e, em mais de 85% dos casos, as vítimas são mulheres. Não use este tom pra falar comigo e com mais ninguém”, afirma Bia em uma das respostas programadas para comentários considerados ofensivos.

A campanha, em tom de bronca geral, não foi muito bem recebida. No Youtube há, até o momento desta publicação, três vezes mais reações negativas que positivas no vídeo da propaganda. Em sua maioria, os comentários são em desaprovação à iniciativa, com reclamações de que o sistema da BIA não consegue resolver as demandas dos clientes e que a BIA reclama de assédio em comentários que, em tese, não seriam ofensivos como “vamos ser amigas?”, “quero te dar um abraço” ou “eu estou com sono”. A partir daí a campanha virou piada nas redes sociais e diversos memes foram gerados.

Segundo Cristiane Zacarias, de 41 anos, secretária geral do sindicato dos bancários e financiários de Curitiba e funcionária do Bradesco, embora a campanha do banco sediado em Osasco tenha uma intenção positiva, o mesmo cuidado não é visto na rotina dos trabalhadores do banco. “Dentro do banco a gente vê muitos problemas que são divergentes com a postura que o banco quer demonstrar nessa propaganda. São denúncias de assédio rotineiras”. A sindicalista alega que o banco não possui políticas internas efetivas para combater pequenos conflitos.

Em 2007 o Bradesco foi condenado a indenizar uma ex-funcionária por assédio sexual praticado pelo gerente de uma agência bancária no Pará. Na ocasião, o Bradesco entrou com recurso no Tribunal Superior do Trabalho (TST), argumentando que “assédio sexual implica em importunação séria, grave e ofensiva, e não em ‘simples gracejos ou paqueras'”. O recurso foi negado e o banco foi obrigado a pagar R$ 70 mil para a ex-funcionária.

Em 2019, o Bradesco foi advertido pela 66ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, após denúncia do Ministério Público do Trabalho (MPT), para que o banco desse fim ao assédio moral entre os seus empregados. As diversas denúncias tratavam de assédio moral. Um dos casos é o de bancários demitidos quando vítimas de sequestro. Caso o funcionário entregasse o dinheiro aos assaltantes, era sujeito a demissão.

Além disso, alguns funcionários eram impedidos de sair da agência, mesmo após o fim do expediente, até que a meta de vendas fosse alcançada. Na ocasião, o MPT informou que havia violação contínua dos direitos humanos dos empregados do Bradesco e não foi apresentada nenhuma medida concreta para que a situação fosse revertida. Agora, no final de março, o Tribunal Regional do Trabalho do Rio (TRT-1) condenou o Bradesco a pagar multa de R$ 100 mil por descumprimento da ordem de 2019.

O Instituto Latino-Americano de Defesa e Desenvolvimento Empresarial – ILADEM, é uma entidade sem fins lucrativos, mantida pela BRG Advogados. Há quatro anos realiza a campanha #EUDIGONÃO AO ASSÉDIO SEXUAL NO TRABALHO”, já são mais de 150 palestras e eventos ministrados de forma gratuita, tudo com o intuito de estimular a “CONSCIÊNCIA” das empresas sobre a sua responsabilidade social.

Entre em contato conosco e faça parte da campanha. Participe!

A mudança começa por VOCÊ!

Fonte: Gazeta do Povo

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